quinta-feira, setembro 17, 2009


[PF#16.] Manela asfixiante.
"Num país feito de castas, hierarquias e hipocrisias instituídas, com uma democracia arenosa e precária, qualquer cheiro a mudança aflige - por isso as questões essenciais da vida e da felicidade das pessoas foram durante tanto tempo empurradas para baixo do tapete, alcunhadas de 'questões fracturantes'. Manuela Ferreira Leite diz que 'a família' é o pilar da nação, sem notar que é exactamente esse um dos factores que mais tem paralisado o país. Porque 'a família' se sobrepõe a todo o sentimento de pertença social, falta-nos acção cívica e voluntariado".
[Inês Pedrosa, in Asfixia Democrática, Expresso/Única, 12.Set.09]

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[PF#15.] Manela avant-garde.
É de supor que a senhora dona Manela, com seus saia-e-casaco beije e suas jóias de família, e com sua egrégia preocupação perante a destruição (pela mão de Sócrates, obviamente) dos pilares da sociedade portuguesa, a saber, o casamento e a família, se sentiria, digamos, um pouco incomodada, se visse este post do Irmão Lúcia.

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domingo, janeiro 25, 2009



[PF #14.]
Casamento e homofobia.
"Eu sou casado e tenho 3 crianças e sou muito feliz. Ou sou solteiro, tenho 1 filho e feliz sou. Ou sou viúvo, com filhos e netos, ou nem por isso, 2 mulheres, 4 concubinas, 3 ajeitosadas. Tenho uma família, ou duas, ou aquelas que me saíram num bolo-rei. Que diabo me interessa, ou perturba, ou incomoda, ou contribui para a minha (in)felicidade, ter um casal de lésbicas ou gays casadinhos da silva a viver no 2º esquerdo, com um puto ou quantos forem?"
In "Os sete blefes mortais da homofobia", por Paulo Pinto. Para ler aqui, de uma ponta à outra.

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domingo, março 16, 2008



[PF #13] Perfurações.

No Insónia, Henrique Fialho protesta contra a proposta de lei que permitirá
à ASAE passar a fiscalizar, não apenas os sítios públicos, mas também os sítios
púbicos
supostamente privados. Ora, o que a ASAE pretende, é apenas manter
os bons costumes, a moral. Até porque em tempos ainda houve no país umas
suspeitazitas de corrupção, de pedofilia, de crimes de colarinho branco, de jogos
de interesses autarquias/construção civil, de futebol/autarquias, ou diversos
outros vice-versas. Mas não. Está categoricamente provado que Portugal é um
país de cara lavada, repleto de gente de bem, sem o mais leve resquício de dívidas
ao fisco, gente que vai à missa ao domingo, que vive pacatamente em seus pacatos
condomínios fechados. Está tudo nos conformes, incluindo a situação económica
criada por Cavaco no tempo das vacas gordas, temos sol, pobrezinhos já não há,
a classe média floresce como a Primavera em todo o seu esplendor. E vem agora
esta malta nova a querer abalar a ordem vigente ostentando brincos e piercings
e tal. Ainda por cima devem ser todos uns fumadores do caraças. Dá mau aspecto.
Portanto, deixem lá a ASAE continuar a zelar pelo progresso do país, providenciando
a saúde dos cidadãos. É tudo feito a pensar em nós, não é?

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quinta-feira, dezembro 13, 2007



[PF#12]
Tratado.
Enquanto o Ultraperiférico não avança com a prometida renovação, parece-me
que o melhor é entreter o blogue com efemérides. De modo que não resisto a
comentar o acontecimento do dia, a cerimónia de assinatura do Tratado de Lisboa.
Estava tudo muito bonito, sim senhor, não há dúvida que houve cuidado. Excepto,
naturalmente, Dulce Pontes. Numa cerimónia deste teor não pode submeter-se
a assistência ao triste espectáculo de quem se apresenta em palco vestida e
penteada com esfregonas do minipreço, que se mexe e remexe como se fosse uma
contorcionista e, muito mais grave ainda, com uma incapacidade irremediável para
entender que a arte de cantar não tem nada a ver com gargarejos e piruetas vocais
até ao limite do suportável pelo ouvido humano.
Sinceramente, Portugal já não pode permitir-se passar por vergonhas destas. Há
por aí tantas cantoras com vozes bonitas e com a imprescindível noção estética do
que é uma presença em palco.
Teria sido tão simples. E estava tudo a correr tão bem...
[PF]

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segunda-feira, outubro 01, 2007



[PF #11]
O colar da Ministra.
Há por aí alguém interessado em saber o que aconteceu com o colar de contas de
vidro da Ministra da Cultura? É fácil. Basta ir à pág. 5 do último Expresso. Está lá
tudo. Também lá está tudo sobre o nobre objectivo dos entrevistadores, a saber:
pôr a senhora suficientemente nervosa para que o texto pudesse ser escrito
ao melhor estilo tablóide. A não perder!
Se por qualquer motivo o leitor estiver também interessado em conhecer as políticas
culturais nas áreas do património, museus, música, teatro, cinema... Bom, então é
melhor procurar noutro sítio, não sei muito bem onde... mas que diabo, há-de haver
por aí algum jornal que considere útil informar o cidadão sobre mais qualquer
coisinha que não seja o sensacionalismo do futebol e das politiquices caseiras.
Há-de, não há-de?
[PF]

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segunda-feira, setembro 17, 2007



[PF #10] Buracos.

Venho por esta via solicitar ao Sr. Presidente da Câmara de Lisboa, o favor de colocar
na agenda para a capital, uma alínea que contemple a reconstrução integral da (quase)
totalidade dos pisos das ruas da urbe. É uma dor de cabeça para qualquer um, sem
dúvida, mas a responsabilidade, lamentamos, passou para as suas mãos. Nestas
circunstâncias, veja lá se canaliza as verbas indispensáveis e se começa por uma
ponta. Uma ponta qualquer, não perca tempo a estabelecer prioridades, está tudo
uma lástima. Vai ver, Sr. Presidente que, se conseguir reconstruir uma média de dez
a vinte ruas por semana, bastarão dois (quando muito três) mandatos para dar às
ruas de Lisboa um aspecto banal, tão banal como o de qualquer outra cidade europeia
a partir de Ciudad Rodrigo ou Badajoz. Porque nós queremos mesmo deixar de
pertencer ao terceiro mundo. Verdade?
[PF]

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quinta-feira, julho 12, 2007



[PF #9] Urbanidades.

A poucos dias das eleições autárquicas intercalares de Lisboa, sucedem-se as
tentativas de descredibilização de figuras relevantes da candidatura de António
Costa. De súbito, desvio ético, conluio, corrupção, passam a envolver os nomes de
José Miguel Júdice e de Manuel Salgado. E isto a propósito do convite dirigido a
Júdice para coordenar a reabilitação da zona ribeirinha de Lisboa, ou a Salgado
para número dois da lista de António Costa. Num país marcado por compadrios
de toda a espécie, sobretudo justamente na caótica área do urbanismo, não deixa
de ser curioso que Roseta, Negrão, Carvalho, Correia, Monteiro, Fernandes, se
mostrem indignados pelos convites feitos a gente competente, com provas dadas.
Pobre Lisboa, onde as querelas sempre se sobrepõem à verdadeira discussão sobre
os seus graves problemas, como pudemos constatar no recente debate da RTP.
E talvez fosse útil lembrar também as responsabilidades pela degradação urbanística
do país, incluindo em Lisboa, por parte de muitos autarcas eleitos anteriormente.
É bom lembrar, por exemplo, que a indignação de Telmo Correia não se fez sentir no
passado, com o seu colega de partido e ex-autarca de Marco de Canaveses. O que está
agora em causa, claro, é reduzir a votação em António Costa. E penalizar o governo
através disso. O que os incomoda é o facto deste candidato ter reunido uma equipa
forte, com uma "ideia de cidade" (coisa rara!), e é isso que se pretende desvalorizar.
Evidentemente.
[PF]

[Adenda] > Outro ponto de vista aqui ou aqui.
[PF]

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sábado, junho 02, 2007



[PF #8] - Obsessão.
Viva! Haja quem se atreva a lembrar decisões "funestas" do sr. ex-primeiro-ministro
Cavaco Silva. E foram mil, as suas funestas decisões! Parabéns, António Figueira,
por lembrar uma delas, a saber, a atribuição à igreja católica de um canal de televisão,
no início da década de 1990. Não deixa de ser um atrevimento lembrar tal decisão,
num país em que os orgãos de informação veneram deslumbradamente a faraónica
figura do actual PR, aquele que outrora "não lia jornais". Entretanto, à conta da
omissão respeitosa que os media nos impõem no que se refere às múltiplas decisões
funestas tomadas no tempo das vacas gordas da então CEE, o sr. Presidente
prossegue, altaneiro, na sua incólume e obsessiva caminhada para um segundo
mandato no Palácio de Belém. Ou para um terceiro, se o houver. Uma verdadeira
obsessão!

> Adaptado de um comentário meu no post Um peso, uma medida, em Cinco Dias [PF]

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segunda-feira, abril 23, 2007



[PF #7.] - Tréguas.
Esta semana foi manchete de jornal: "Tréguas a José Sócrates só vão
abrandar durante a presidência da União Europeia"
. Isto é, as agendas
mediáticas estão milimetricamente concebidas e preparadas para ataques sucessivos
ao primeiro-ministro até às próximas eleições. É natural, visto que a calendarização
jornalística obedece sempre, mas mesmo sempre, aos mais altos desígnios nacionais e
aos verdadeiros problemas dos portugueses. Convém igualmente desgastar Sócrates
ao máximo antes da presidência portuguesa da UE, não vá ele sair prestigiado.
Durante a dita, já é diferente: torna-se indispensável salvar as aparências em frente
de estrangeiros, não escarrar para o chão, não limpar a orelha com o dedo mindinho,
não atirar beatas pela janela do carro, não dizer palavrões em público. Nem atacar
o primeiro-ministro.
Sendo assim, não vamos passar por vergonhas, podemos ficar descansados.
É lindo, não é? [PF]

[Adenda > 24.4.2007]
Escreveu Bolota na caixa de comentários:
(...) tenho vergonha da iliteracia, do quase analfabetismo de tanto jornalista que
por
aí escreve ou fala. Atentemos na manchete: "Tréguas a José Sócrates só vão
abrandar
na presidência... etc.". Perdão?!?!?? As tréguas é que vão abrandar? Mas
começaram? Mandem-me esta gente de volta para a escola primária e depois,
sim,
ponham-nos a falar de habilitações.

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segunda-feira, fevereiro 12, 2007



[PF #6.] -
Sim, Sim
Venceu o Sim! Mas graças a Deus houve umas senhoras e uns senhores que tiveram
a amabilidade de esclarecer que o país está dividido. Por acaso já sabíamos, mas
obrigado na mesma. Se tivesse vencido o Não, o país não estava dividido, mas como
venceu o Sim, está. E estava e estará, dividido entre o séc. XIX e o séc. XXI. Mas
aquelas personagens queirozianas que dão pelo bom nome de senhoras donas
Matildes, Rosários, Marias Josés, Isildas, Laurindas, etc., e aqueles senhores
professores doutores Qualquer-Coisa e Castro, Rebelo Não-Sei-Das-Quantas, etc.,
etc., podem ficar tranquilos: as criadas lá de casa (as que tomam conta das crianças
da família) e os motoristas (os que levam as crianças ao colégio), já para não falar
dessas estudantes que há agora, ou dessas assalariadas que fazem sexo sem
precauções, e de toda aquela nova casta de mulheres sem princípios, que não
cumprem com os preceitos da santa madre igreja, continuarão a ser olhadas e
atendidas com o devido desdém pelos serviços de saúde, sempre que se atreverem
a ir abortar só porque, como dizia o outro, "o cinema estava esgotado". Para que se compenetrem de que não podem comportar-se como umas galdérias pecadoras que
andam por aí armadas em estrangeiras. Sosseguem, minhas senhoras e meus
senhores: continuaremos a ter respeitáveis técnicos de saúde, veneráveis padres
e meritíssimos juízes que se encarregam de zelar pela moral e os bons costumes,
conferindo assim ao nosso egrégio Portugal aquele toque de encanto... tão nosso!
[PF]

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quarta-feira, dezembro 20, 2006



[PF #5.] - Aborto.

"Abortar como opção quando já bate um coração?" Vê-se por aí em enormes
outdoors esta frase que remete subliminarmente para o arcaísmo judaico-cristão da
mulher pecadora e leviana. Sendo que a dita frase surge em forma de pergunta, induz
portanto respostas. E a minha resposta é a seguinte: sim, abortar como opção quando
já bate um coração de mulher, de mulher responsável que enfrenta condições de vida
adversas, nos planos afectivo, económico ou social, que a conduzem a essa opção,
nos prazos impostos pelos conhecidos limites biológicos. Para que o seu coração de
mulher continue a bater e a sua vida não se transforme num drama. Para continuar
a ser mulher responsável. Coração de mulher? Sim, coração de mulher, e já agora...
porque não referir o coração de homem? Afinal, é a mulher que tem um filho ou é o
casal que tem um filho? É a mulher que engravida ou é o casal que engravida? É a
mulher que aborta ou é o casal que aborta?
[PF]

[Adenda > 22.12.2006]
É um facto que este tipo de abordagem condenatória incide na mulher e retira a responsabilidade do homem. Mas retira também o direito à consciência individual.
A decisão de abortar depende da consciência do sujeito, ou da moral que o partido A,
a associação B ou a religião C apregoar? O próprio cardeal patriarca de Lisboa defende
que é algo do foro do indivíduo e do seu livre arbítrio, que não deve ser manipulado
ou apropriado por estratégias ideológicas... Que direito assiste a quem condena e pede
a condenação - e não estamos a falar de condenação meramente moral, mas de
pessoas presas como criminosas? O direito da defesa da vida? Concordo que o direito
à vida não pode ser apenas uma causa biológica. Por vezes sinto que esta sociedade
não está assim tão longe de outras em que as mulheres são lapidadas em praça
pública por adultério. Aqui são presas e enxovalhadas por abortarem. Assim são os
fundamentalistas do NÃO, sempre prontos a atirar a primeira pedra...
[BT]
Adaptação do texto deixado por Bolota na caixa de comentários. [PF]

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sábado, novembro 25, 2006



[PF #4.] - Temporal.

Sexta à tarde as ruas de Lisboa pareciam rios e o trânsito era caótico no meio do
dilúvio e do vendaval. Enquanto isso, a polícia, sempre zelosa e certeira na escolha
de locais e situações para fazer cumprir a lei, seleccionou zonas rentáveis como a
Av. D. Carlos I, escondeu-se em pontos estratégicos e foi um ver se te avias de
carros trancados e de multas de sessenta euros. Os condutores desesperados por
encontrar um buraco onde estacionar por uns minutos, caíram na armadilha. No
fundo de cada cidadão ainda permanece a fantasia de que as autoridades policiais
existem para nos proteger e auxiliar em dias como o de ontem. Mas muitos
portugueses já estão habituados a estas artimanhas da polícia quando o Natal se
aproxima: é preciso engrossar o subsídio para o consumismo frenético da época.
E a percentagem das multas vem mesmo a calhar.
[PF]

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quinta-feira, novembro 09, 2006



[PF #3.] - Crise.
Antes da Revolução não havia nada, nem uma crisesita para arrebitar. Chega a dita
e zás! Crise! Década de oitenta, crise! Década de noventa, crise! Séc. XXI, crise!
Estamos em crise há trinta e tal anos. Pois! Pensávamos nós, incautos, que as crises
são por definição temporárias. Pois pensávamos, mas não são. Também pensávamos
que eram sinónimo de oportunidade. Parece que sim, para alguns. Em cada campanha
eleitoral os candidatos desconhecem, coitados, a gravidade da crise e, chegados ao
poder deparam-se, duas vezes coitados, com a necessidade de tomar medidas duras.
As ditas não costumam ter o mesmo significado para um empregado de shopping
ou para um economista de sucesso. Diz este: "porque a crise é gravíssima, porque é
preciso vencer o défice, porque é preciso fazer sacrifícios". E porque assim e porque
assado. E a crise continua, governo após governo. Lisboa é o espelho: crescem as
hostes de pobrezinhos nas ruas e cresce o mostruário de veículos topo de gama. Tudo
a par, tudo perfeito. Vai ser comovente assistir a futuras promessas eleitorais! Falta
prometer o quê?
[PF]

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domingo, outubro 29, 2006



[PF #2.] - Portuguesices (II)
Na capa de Novembro da revista Exame, podemos ver o título de um "especial":
Quanto vale Portugal vendido ao metro quadrado. Lendo o artigo, ficamos
a saber que esse valor é de 80 e tal euros/m2. Pode parecer pouco, mas tendo em
conta que os investidores espanhóis seriam dos principais interessados (têm fama
de empreendedores, os lotes de terreno ficam mesmo ao lado, e muitos portugueses
gostavam que Espanha nos comprasse por atacado), parece-me um preço bastante
aceitável. E porquê? Porque convém não esquecer que adquirir o nosso país, implica
tomar conta da cultura portuguesa. Ora sendo Espanha a terra de Cervantes e de
Velasquez e de Goya e de Picasso e de Lorca e de Tapiés e de Almodóvar, só para
citar alguns exemplares de ícones espanhóis cuja cotação no mercado internacional
é um tudo-nada mais alta que a dos nossos, onde iriam eles arrumar a cultura
portuguesa? Que fariam com ela? É um quebra-cabeças, convenhamos, dá trabalho,
leva tempo, e tempo é dinheiro.
Por tudo isto, parece-me um preço justo, uma boa oportunidade de negócio, e sempre ganhávamos umas coroas. Assim como assim, os nossos ícones até estão quase todos
lá fora, o Mourinho, o Cristiano, o Pauleta, o Figo...

(Adenda: a postagem original sofreu algumas alterações)
[PF]

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sexta-feira, outubro 27, 2006


[PF #1.] - Portuguesices
Claro que não se conhecem ingleses ou suecos que queiram ser polacos ou gregos.
Claro que não se conhecem franceses ou guatemaltecos que queiram ser italianos

ou tailandeses. Não interessa: há portugueses que querem ser espanhóis, que
gostavam de ser espanhóis. Ou antes, gostavam de ser ingleses ou mesmo franceses,
mas ser espanhol também serve.
E falando de iberismos, a propósito da actual campanha para a eleição dos "grandes portugueses", proponho votação maciça no egrégio José António Saraiva, opinion
maker, que gostava de ser espanhol. Por supuesto.
Quanto aos portugueses que gostam de ser portugueses, isto é, que não se importam
de ser como as pessoas dos outros países, isto é, que não se importam de ser como
as pessoas que gostam de ser dos países delas, votem segundo os parâmetros que
entenderem. Ou não votem de todo, cada um sabe de si.
[PF]

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