segunda-feira, março 13, 2006

IMBECILIDADES



Já tocam os sinos na cidade do Porto: o Imbecilidades Contra o Património Cultural
faz um ponto da situação sobre o "túnel de Ceuta". A nova direcção do IPPAR perdoou
a Rui Rio e decidiu-se pela continuidade do túnel, isto é, sancionou o facto político
consumado em vez de impedir este atentado contra o património.
Entretanto a blogosfera e os orgãos de comunicação portuenses parecem alheados do
escândalo. Será que o mal menor satisfaz toda a gente? Será que a opinião pública já
nada pode fazer?
Saudações ultraperiféricas.
[R]

Fotografia > Domingos Alvão (1869-1966), Portugal
> Vista da cidade do Porto, a partir de Gaia, c. 1930 (foto © FH/CRO).

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terça-feira, fevereiro 21, 2006

DESTERRADO



Rui Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto, foi constituido arguido no caso
do chamado "Tunel de Ceuta", tendo já prestado declarações à justiça.
Estivemos no Porto e vimos com os nossos próprios olhos: o túnel desemboca à
distância de um passeio, mesmo em frente da fachada principal do Museu Nacional
Soares dos Reis. Não comentamos aspectos jurídicos, mas consideramos este túnel
um escândalo nacional.

Soares dos Reis (1847-1889), realizou em Roma O Desterrado, em 1872, mas as
invejas e dissabores causados por esta obra, e outros desgostos que rodearam a
carreira do escultor na cidade do Porto, terão ditado o seu suicídio com dois tiros
de pistola. No início da República, em 1911, far-se-ia justiça atribuindo o nome de
Soares dos Reis ao antigo Museu Portuense. O Desterrado seria entretanto
considerado o ícone máximo do próprio museu e uma obra prima da escultura
romântica portuguesa.

Antes de se ter suicidado, Soares dos Reis escrevia numa parede do seu atelier:
“Sou cristão, porém nestas condições a vida para mim é insuportável.
Peço perdão a quem ofendi injustamente,
mas não perdoo a quem me fez mal”.
Se regressasse do além, Soares dos Reis não perdoaria a Rui Rio.

Saudações ultraperiféricas.
[R]

Escultura > Soares dos Reis (1847-1889),
> O Desterrado, 1872, Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
(Fotografia de Teófilo Rego, c.1955).
[R]

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