sexta-feira, abril 21, 2006

[citação 01]
DA MINHA LÍNGUA




Da minha língua vê-se o mar.
> Vergílio Ferreira (1916-1996)
[P]

Fotografia > Anónimo, Portugal,
> Sem Título (paisagem marítima da costa portuguesa), c. 1905 (foto © FH/CRO)

Fascina-me este postal fotográfico de autor não identificado, atribuível a J. Bárcia
(José Artur Leitão Bárcia, 1871-1945), especialmente devido à coloração da prova,
avermelhada, com viragem a ouro ou a enxofre, e à delicada impressão em papel
texturado.

A intensão pictorialista/naturalista, seguindo as tendências internacionais da época,
permite relacionar esta fotografia com a pintura de paisagem que exaltava os valores
estéticos da natureza, os quais por sua vez eram influenciados pela fotografia. Mas
distancia-se totalmente do kitsch comercial do "pôr-do-sol" que a fotografia a cores
viria a vulgarizar em postais ilustrados ao longo da 2.ª metade do século XX.
[R]

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quarta-feira, abril 05, 2006

PORTUGAL ULTRAPERIFÉRICO
Ideologia e idealização na "Era Sócrates"




Abundam em Portugal, tanto nos orgãos de informação como na blogosfera,
idealizações à esquerda e à direita, desfasadas do interesse público, centradas em
umbigos ou interesses individuais, grupos ou poderes instalados.
Porém, para que se obtenha alguma justeza na análise das actuais políticas
governativas é indispensável realizar exercícios de comparação entre vários
governos, mais à direita ou mais à esquerda, que nos têm governado nas últimas
décadas: desde os tempos conturbados da revolução, passando pelos anos da
conquista da normalidade democrática, com Soares, os tempos da oportunidade
perdida, com Cavaco, as desilusões da era Guterres, até aos tempos mais recentes
de crises empoladas, artificiais umas, negligenciadas ou convenientes outras.
E é aqui que José Sócrates começa a ganhar aos pontos, governando em tempo de
"vacas magras", sem dramatização, seguindo estratégias inteligíveis e necessárias.

Constatamos que as diferenças esquerda/direita se esbateram através de sucessivos
cortes ideológicos, permanecendo a ideologia a níveis residuais (por vezes apenas
folclóricos), mesmo no discurso político. Porque, como sabemos, as diferenças
ideológicas foram sendo substituídas após a queda do Bloco de Leste, paulatinamente,
por uma ideologia única globalizadora chamada ECONOMICISMO, a que alguns
continuam a chamar capitalismo ou economia de mercado e outros chamam
pragmatismo ou outras coisas lisonjeiras.
Mas se os "ismos" tradicionais não têm resolvido os problemas estruturais do país, se
estamos como estamos, devemos então assumir um falhanço colectivo e abandonar
partidarites inúteis.

Supõe-se que Sócrates entende bem estes fenómenos e procura substituir diferenças
ideológicas por novas formas de tensão, como modernidade vs. conservadorismo, ou
cosmopolitismo vs. localismo. Se formos por este caminho de criatividade e inteligência, poderemos dizer que se iniciou uma nova era.
[R]

Fotografia > José Artur Leitão Bárcea (1871-1945),
> Sem Título, Lisboa, c. 1905 (foto © FH/CRO)

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