domingo, junho 10, 2007

[citação 23]
A MEMÓRIA



A memória da maior parte dos homens é um cemitério
abandonado,
onde jazem sem honras, mortos que eles deixaram
de amar. Toda a
dor prolongada insulta o seu esquecimento.

Citação > Marguerite Yourcenar (19o3-1987), França

> in
Memórias de Adriano, ed. Ulisseia, Lisboa, 1981

Pintura > João Queiroz (n.1957), Portugal
> Sem Título, 2004
/Sem Título, 2004 (fonte: Gal. Porta 33, Funchal)

> Citação dedicada a Maria Clementina Diniz, nascida a 10 de Junho 1940.
[P]/[R]

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21 Comentários:

Blogger Aldina Duarte escreveu...

A dor que não prolonguei é a vida em que me achei!

Até sempre...

11 junho, 2007 04:15  
Blogger Ultraperiférico escreveu...

Aldina:
Creio ter compreendido o seu comentário. A memória, devemos conservá-la com alegria, passado o inevitável período de luto. A dor prolongada é estiolante.
Um abraço
> Roteia

11 junho, 2007 10:48  
Blogger james escreveu...

Tudo de muito bom gosto por aqui.

Um abraço.

14 junho, 2007 00:16  
Blogger Ultraperiférico escreveu...

Obrigado, James.

14 junho, 2007 02:07  
Blogger mena escreveu...

as memórias são pedras, que aparentemente inertes, nos falam do tempo; são casas já despidas de quem as habitou; são cartas onde identificamos letras que nos fazem ainda chorar ou rir, porque já não há as mãos que as escreveu

15 junho, 2007 07:17  
Blogger João Dias escreveu...

No luto também entra o esquecimento, é a sanidade que o pede, é a alma que o exige, não há ser que aguente a dor da memória eterna.

15 junho, 2007 23:19  
Blogger Baudolino escreveu...

Adorei o blog! Se não incomodar vou passar por aqui.
Abraço
Este post então... fantástico

16 junho, 2007 22:14  
Anonymous Propranolol escreveu...

João Dias,

Sim, existe o esquecimento, no sentido de não-dor. No luto, é preciso atravessar a dor toda, nas diversas fases que o definem. Na fase final atinge-se o desapego, o que se chama "matar o morto". Como temos memória, permanece a saudade, misto de tristeza, ternura e gratidão por ter existido alguém que, sendo amável, nos permitiu amá-la.

17 junho, 2007 01:11  
Anonymous Propranolol escreveu...

Obrigado, Baudolino, pelo comentário.

17 junho, 2007 01:15  
Blogger João Dias escreveu...

Propranolol,

O esquecimento entra no luto, mas não o "afoga".

17 junho, 2007 04:37  
Blogger Cometa 2000 escreveu...

Post brilhante!
Bem como todo o blog.

As pinturas são magníficas mas a frase de M. Y. vai mesmo de encontro ao que sinto.

Obrigado e boa tarde.

18 junho, 2007 18:04  
Anonymous plutão escreveu...

E se a dor for o caminho para nos sentirmos vivos? Ou, aqui por perto, um começo...

18 junho, 2007 23:19  
Blogger Ultraperiférico escreveu...

Mena:
Retive no seu comentário "as memórias são pedras". E casas e escritas. Mas o que dói na morte de alguém que amámos (ou ainda amamos), é a ausência, a perda definitiva. Neste sentido a memória é como o amor, elemento de ligação feito de sinais e vestígios que queremos conservar ou receamos esquecer.
[Roteia]

19 junho, 2007 01:28  
Blogger Ultraperiférico escreveu...

Cometa.
Obrigado pelas suas palavras.

19 junho, 2007 01:43  
Blogger Ultraperiférico escreveu...

Plutão:
Se nos agarramos à dor da perda é porque estamos incapazes de a racionalizar. Creio que a questão colocada por Yourcenar, a "dor prolongada", nos remete para a necessidade de encarar a perda, para o dia em que vencemos a dor.
[Roteia]

19 junho, 2007 02:07  
Blogger bettips escreveu...

A morte é irremediável. E é difícil acreditar nisso quando acontece. Que a memória nos deixa o amor incólume, só muito mais tarde aprendemos, no "dia em que vencemos a dor". Roteia e propanol, palavras imensas... Yourcenar sabia do que falava Adriano. Abç

20 junho, 2007 18:34  
Blogger Ultraperiférico escreveu...

Bettips:
Irremediável, definitiva, é isso que dói. E só o tempo cura, se o auxiliarmos a reduzir a dor, a trazer de volta o amor incólume. A dor, porém, prejudica a lucidez.
[Roteia]

20 junho, 2007 20:38  
Anonymous Pilar escreveu...

Roteia:

“Encarar a perda”, "vencer a dor”, “auxiliar a reduzir a dor”, “trazer de volta a amor incólume”…
Como se racionaliza a perda de alguém que deveríamos saber proteger e não o fizemos?

21 junho, 2007 00:48  
Blogger Ultraperiférico escreveu...

Pilar:
Creio que racionalização e aceitação são factores complementares, com os quais sabemos conviver melhor ou pior. Perante a perda pensamos no que poderíamos ter feito ou dito, no que poderíamos ter evitado ou previsto, como se não fôssemos afinal todos tão frágeis, demasiado pequenos. E porque a morte é imprevisível, todos somos impotentes.
[Roteia]

21 junho, 2007 01:52  
Anonymous Bala escreveu...

Comentário em forma de citação, in
"Cadernos", de Albert Camus:

"Só há uma liberdade, fazer as contas com a morte. Depois disso, tudo é possível. Não posso forçar-te a crer em Deus. Crer em Deus é aceitar a morte. Quando tiveres aceitado a morte, o problema de Deus ficará resolvido por si - e não o inverso"

21 junho, 2007 19:45  
Anonymous pilar escreveu...

Roteia:

Sei que perante a perda todos pranteamos as mesmas coisas e todos desejaríamos poder rectificar.
Aceito que a morte é imprevisível, que todos somos impotentes, frágeis e insignificantes, mas o que pretendia dizer no meu anterior comentário é que, é mais difícil de racionalizar ou aceitar a perda, quando esta é provocada por negligência, incompetência, etc.

Bala:

Aceito a morte e não acredito em deus.
A citação de Albert Camus, certamente que, extraída de algum contexto, que desconheço, parece-me excessivamente gratuita.

23 junho, 2007 00:58  

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