sábado, outubro 31, 2009

O MINISTÉRIO DE CANAVILHAS


A política cultural tem sido, desde sempre, o parente pobre da governação em Portugal. E se devemos considerar que aos governantes não compete assumir posições de proteccionismo dos agentes culturais e que, muito menos, compete aos institutos dependentes do Ministério da Cultura tornarem-se eles próprios uma espécie de agentes, devemos no entanto exigir dos governantes a definição de políticas culturais fortes e claras, que tenham em vista as necessidades de ampliar a vivência cultural dos cidadãos e de contribuir para uma sociedade culturalmente mais exigente e esclarecida.
Se o próprio primeiro-ministro reconheceu ter sido um erro da sua anterior governação o desinvestimento no sector cultural, não será difícil à nova ministra Gabriela Canavilhas apelar à melhoria de condições para o correcto exercício do seu cargo. O que lhe será difícil, é desconstruir os inúmeros estereótipos e preconceitos que estão associados à ideia de "cultura" (ideia aliás, onde tudo cabe e pouco ou nada cabe, mas para a qual não se encontrou melhor palavra), porque quando se fala de orçamentos em tempos de crise económica, ou quando se fala do atraso económico do país, os bens culturais são sistemáticamente remetidos para o domínio do supérfluo. Acontece que não existe economia forte sem cultura forte, e vice-versa, como podemos constatar quando olhamos os actuais países ditos desenvolvidos, ou mesmo as civilizações do passado.
Será que vamos continuar longe do mítico/mísero 1% do Orçamento Geral do Estado, numa área em que nem bastariam 2% (ou mais) para recuperar do atraso, face aos padrões europeus?

Pintura > Jackson Pollock (1912-1956), EUA
> Autumn Rhythm (number 30), 1950, col. Metropolitan Museum, NY
[R]

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