segunda-feira, outubro 01, 2007

A LIGHT IMPRESSION



25 anos depois da abertura da Ether... é sem dúvida um acontecimento. Porém, a
nova galeria na 16 Navegantes St. (Rua dos Navegantes, 16), Lisbon (Lisboa),
Portugal (Portugal), tem um "site" exclusivamente em língua inglesa. Mais parece
coisa pacóvia. "A light impression" (or is it a bad impression?), sobre fotografia
portuguesa.

A estratégia principal da galeria talvez seja a da necessária internacionalização ou da
circulação da fotografia portuguesa no mercado internacional. Está bem, trata-se de
uma iniciativa louvável de Luis Trindade, que devemos assinalar. No entanto, ainda
que o mercado globalizado nos imponha um império idiomático, não creio que a
exclusão da língua que se fala no país onde está sediada a galeria, seja um caminho
certo.
A Gallery P4 Photography inaugura na 4ª feira, 3 de Outubro, com a exposição
Atlas, que reúne fotografias de Carlos M. Fernandes, João Mariano e Rui Fonseca.
Ficamos à espera do site bilingue. Good luck! (Felicidades!)
[R]

[Adenda > 4 Out. 2007]
A propósito da opção da P4Photography em "limitar toda a comunicação para o
exterior a uma língua" (a língua inglesa), salienta Carlos Miguel Fernandes que
a opção não foi bem recebida, e em certos casos o ataque até tem sido
um pouco rude
.
Lamento que uma opinião pessoal possa ter sido lida como ataque, uma vez que
apenas pretendi alertar para aquilo que deve ser considerado uma lacuna de
comunicação, e apenas isso, no contexto de um projecto que até poderá ser inovador.
Não se contesta nem o projecto, nem o seu responsável, nem os restantes
intervenientes.
Frequentemente desprezada em Portugal, a comunicação bilingue é uma questão
de princípio. Projectos privados dirigidos ao público e ao mercado não estão
isentos de responsabilidade cultural, tanto mais que a identidade do projecto P4
assenta na fotografia portuguesa, e esta não é dissociável dos restantes factores
identitários do país, particularmente da língua. A universalidade, ou neste caso
a internacionalização, não se faz abdicando da identidade.
[R]

Fotografia > Eduardo Portugal (1900-1958), Portugal
> Tecto pintado com as Armas de Portugal, Igreja da Misericórdia de Alenquer,
s/d (c. 1940),
(fotografia duplicada com inversão), Colecção Particular
[R]

ver também (em actualização):
> Madalena Lello, Atlas
> Alexandre Pomar, Atlas - dia 3
> Carlos Miguel Fernandes, Inglês ou Português?

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12 Comentários:

Anonymous Anónimo escreveu...

por acaso o site da tradicional galeria pedro Oliveira no Porto padece da mesma enfermidade. Site só em inglês. E já agora já notou qual é o nome da mais importante galeria de Lisboa : Cristina Guerra Contemporary Art.

Triste

03 outubro, 2007 15:47  
Anonymous roteia escreveu...

Galerias de arte, blogs, revistas... muitos hoje em Portugal usam ou abusam do anglofonismo, como outrora acontecia com o "chic" francofonismo. São coisas, a meu ver, de um país periférico que abdica facilmente da língua própria em nome de um suposto cosmopolitismo, ou de estratégias empresariais aparentemente ousadas.
Não se estranhe por isso que em vários países lusófonos a herança da língua seja tão desprezada e mesmo contestada.
Lembro-me do tempo em que a revista Colóquio-Artes, editada pela FCG, publicava todos os artigos na língua original dos autores dos textos, fosse qual fosse a sua língua, incluindo línguas que poucos de nós dominam, e no final apresentava sínteses em inglês e francês dos textos portugueses.
De facto, o fenómeno não é novo e parece cada vez mais generalizado.

04 outubro, 2007 02:16  
Anonymous CMF escreveu...

Caro(a),
a rudeza encontrei-a principalmente no frase "Mais parece coisa pacóvia." Só isso. Claro que não deixa de ser opinião pessoal, e claro que a respeitamos. Mas tem que me conceder também a latitude que me permite opinar sobre tal opinião (e as minhas observações nascem de uma relação privilegiada com a empresa, sim, mas que não passa disso). Quanto ao resto, o cerne da questão, são opções. Opções e opiniões! Não vale a pena ir muito mais longe, e espero que se consiga sempre dialogar. O meu texto pretendia ser apenas uma tentativa de esclarecimento, especialmente na questão do livro, pois estive muito envolvido na sua realização e fui parte forte na tomada de decisões. E quem já escreveu mais de uma dezena de artigos científicos em inglês não pode deixar de lado o pragmatismo só porque entra no domínio da fotografia. Ciência também é cultura. Onde está então a “responsabilidade cultural” dos cientistas e laboratórios portuguesas? Onde está a linha divisória? Existe? Talvez sejam pontos interessantes para um debate mais amplo...

04 outubro, 2007 22:55  
Blogger paulo escreveu...

Não será a mesma lógica dos promotores imobiliários, donos de ginásios (perdão, health clubs), tasqueiros, merceeiros, que nomeiam os seus negócios em inglês? As pessoas recusam (ignoram) a sua identidade? Querem ser os outros, diluir-se? Ambicionam vantagens económicas? A cultura não faz a diferença.

04 outubro, 2007 23:11  
Anonymous Roteia escreveu...

CMF:
Grato, desde já, pela clareza do esclarecimento e pelas questões levantadas.
Quanto ao pragmatismo dos textos científicos em inglês, trata-se principalmente de uma óbvia necessidade de uniformizar terminologias, onde se incluem certas designações em latim, tendo por objectivo a troca de conhecimentos e experiências entre especialistas de diferentes países.
É por isso que ninguém estranhará que, por exemplo, textos sobre física ou química fotográfica também sejam escritos em inglês. O mesmo não acontece com textos de divulgação de autores e obras fotográficas de um determinado país ou época.
Nos países de língua não dominante, tornou-se indispensável que os agentes culturais, tanto públicos como privados, editassem os seus textos em versões traduzidas. No entanto, nas últimas décadas, há em Portugal quem evite o dispositivo da tradução e até há alguns artistas portugueses, jamais notados no estrangeiro, que insistem em dar às suas obras títulos em inglês. Ressalve-se os casos em que um título, à boa maneira pós-modernista, seja citação.
As responsabilidades nos campos culturais, na literatura como nas linguagens artísticas, são de outra ordem porque o património que representam se enquadra no campo da identidade histórica e cultural, e porque as diferenças linguísticas são em si mesmas um valor de troca e de enriquecimento entre povos. A respeitabilidade e relevância dos projectos passa pela sua dimensão identitária, no mundo inteiro.

05 outubro, 2007 04:23  
Anonymous Roteia escreveu...

Paulo:
Não creio que seja exactamente a mesma lógica para quem vende sabonetes, aviões ou obras de arte. Em certos casos é uma lógica puramente mercantilista, noutros casos um simulacro de prestígio, frequentemente apenas frivolidade e pretensiosismo de pechisbeque. Há também casos de ressentimento, quem queira voltar costas à mediocridade reinante ou à falta de estruturas de apoio, procurando afirmar-se "lá fora". Há de tudo, como na farmácia. Em todo o caso, a cultura às vezes faz a diferença.

05 outubro, 2007 04:52  
Anonymous CMF escreveu...

Penso que todos concordamos que o cenário ideal seria uma página bilingue (ou até trilingue, como estava previsto no plano inicial). No entanto, tal projecto tornou-se insustentável. Foi necessário escolher, e o Luís Trindade optou pela língua inglesa. Muita gente discorda, e talvez preferisse que, neste caso, P4 usasse exclusivamente a língua portuguesa. É uma opinião. Mas é uma opinião que talvez não tenha em conta todas as variáveis (e que caberá ao Luís esclarecer, se ele assim o desejar).

No caso do livro Atlas fui posto perante o mesmo dilema. Planeei e desenhei uma edição bilingue (e extensível a trilingue, no caso de a exposição viajar para outro país). Mas a certa altura percebemos que tal opção trazia consigo mais dez páginas. Tive que tomar uma decisão (e custou muito), e optei pelo inglês. Mais uma vez, sei que não é o cenário ideal, mas era o único que me parecia viável.

Sou insuspeito (acho). Sempre evitei os títulos em inglês, que como refere, e bem, muitos artistas portugueses insistem em dar às suas obras. Contornei o problema usando expressões universais, ou palavras que fazem parte da cultura ocidental e que em alguns casos deram origem a palavras portuguesas (Mitteleur/opa, Kaluptein, e Atlas, por exemplo). No caso dos textos, a coisa complica-se. Para já, a minha página está ser trabalhada em duas línguas (e a secção “inglesa” está até muito incompleta). Até quando conseguirei aguentar esta situação, até porque costumo acompanhar as minhas séries com textos mais ou menos longos? Mas nunca deixarei de escrever em português, até porque não caio no erro de achar que sei escrever muito bem em inglês. (Erro comum em muita gente, que domina apenas um curto vocabulário técnico e quando posto perante um texto de Shakespeare não passa da primeira página.)

Em relação à ciência e aos textos científicos, que como sabemos sempre foram escritos numa língua franca (agora é o inglês, antes era o latim), notemos antes as páginas de rosto dos cientistas, que por esse mundo fora são, na maior parte dos casos, escritas exclusivamente em inglês (a minha estava nessa situação, mas neste momento um problema no servidor apagou-me tudo e não a posso dar como exemplo). O que quero dizer é o seguinte: onde se encontra a linha divisória entre o meu trabalho científico e meu trabalho “fotográfico”? É menos aceitável desenhar a página de fotografia exclusivamente em inglês? Não pretendo ter a resposta para estas questões. Mas sei que, muitas vezes, quando não conseguimos sustentar teoricamente uma opção, o pragmatismo pode ser o melhor caminho.

05 outubro, 2007 15:18  
Anonymous roteia escreveu...

CMF:
Confesso-lhe que continuo a não entender a opção tomada, uma vez que existem tantos exemplos de sites bilingues. Porque é que para a P4 seria tão problemático ou dispendioso tê-lo feito?
Consultei sobre o assunto um amigo meu, especialista em questões da web, e o que ele me disse foi que, embora dependendo um pouco da estrutura da página, não lhe parecia complexa a opção bilingue, nem em termos de desenho nem de custos.

Penso que a P4 só lucraria em rever a sua opção. Pragmatismo empresarial, neste caso, não é optar por uma só língua, é conseguir compatibilizar duas.
Já quanto à compatibilização entre ciência e arte a questão é outra. Pano para mangas.

05 outubro, 2007 20:36  
Anonymous CMF escreveu...

Penso que a opção terá mais a ver com o tempo necessário à dupla actualização de uma página que é tudo menos estática; e tempo, como se sabe, é dinheiro. Mas só o Luís poderá esclarecer melhor a opção tomada.

05 outubro, 2007 21:00  
Anonymous L'Oiseau Rare escreveu...

De vez em quando aparecem diálogos interessantes na blogosfera, como é este, entre Paulo/Roteia/CMF. Lembrei-me que há tempos na rua ouvi de passagem um "a minha mãe é muito straight forward, percebes?" numa conversa entre adolescentes. Os exemplos são inumeráveis: quem pedir uma 'bica' a um qualquer empregado de café, fica invariavelmente exposto à tradução para brasileiro ("é um cafézinho que quer, é isso?"). Portugal continua permeável a tudo o que venha de fora. É bom, é mau? Talvez ambos.

06 outubro, 2007 13:25  
Anonymous Anónimo escreveu...

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09 abril, 2010 10:49  

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