quinta-feira, maio 17, 2007

[citação 21]
E OS BOS FILLOS DO LUSO



e os bos fillos do Luso,
e os fortes irmáns,
nun só nó, fortemente,
os dous constrinxirás;
tal é a semellanza sonorosa
do garrido falar!

Si... dos fillos do Luso,
que apartados están
por real estulticia
da gloriosa nai,
o pastor, bo e forte,
algún día serás
que a tribu vagarosa
ao deixado clan,
o descarriado gando
que agora errando está,
ao redil antigo
gloriosa volverás.

Citação > Eduardo Pondal (1835-1917), Galiza

> in Poesía, ed. Edicións Xerais de Galicia, 2003.

17 de Maio de 1863 é a data da publicação de "Cantares Gallegos", de Rosalía de

Castro (1835-1885), considerada a primeira obra literária posterior aos cancioneiros
medievais que recupera para a língua galega a condição de língua escrita, no contexto
do renascimento cultural ocorrido na Galiza na segunda metade do séc. XIX.
Um
século depois, em 1963, a Real Academia Galega homenageou Rosalía de Castro,
e instituiu o dia 17 de Maio como o Dia das Letras Galegas, com o objectivo
de
homenagear todos os anos diferentes autores galegos que, pela importância da sua
obra, contribuiram para o processo de recuperação da consciência nacional galega.
Em 1965 é a vez de Eduardo Pondal, defensor do federalismo ibérico,
que incluía a
recuperação da irmandade histórica com Portugal.
[Adenda] Ver também Coroas de Pinho.
[P]

Pintura > José Dominguez Alvarez (1906-1942], Portugal/Galiza
> Paisagem com camponesa, s/l, s/d (fonte iconográfica: Cabral Moncada Leilões)
[R]

Pesquisar Dominguez Alvarez (links):
> Centro de Arte Moderna/FCG

> Artecapital
> Gotas d'Água

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10 Comentários:

Anonymous Vreemde Vogel escreveu...

Um poema numa língua que parece português-que-parece-galego, diferente e ao mesmo tempo semelhante. Seria natural que houvesse mais proximidade entre estes dois povos geográfica e historicamente tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes.

18 maio, 2007 10:41  
Anonymous propranolol escreveu...

Vreemde Vogel,
A proximidade entre os povos até existe, sobretudo no norte, onde a familiaridade com a Galiza é maior do que com Lisboa, por exemplo. Quanto a iniciativas de carácter cultural, temos o exemplo da homenagem a José Afonso transmitida em directo neste 25 de Abril, parceria TVG/RTP. Também é verdade que ocorreram múltiplos eventos neste Día das Letras Galegas, em Lisboa e Braga, pelo menos.
Mas concordo que é insuficiente, tratando-se de dois povos vizinhos de tantas maneiras.

20 maio, 2007 09:32  
Anonymous Maria C. escreveu...

Penso que "o descarriado gando" vai volvendo ao "redil" precisamente através da cultura. Veja-se os escritores "dos fillos do Luso" que cruzam a fronteira, cada vez em maior quantidade ... Veja-se o expoente máximo de cruzamento que é o poema de Rosalía de Castro "Cantar de emigração" arrepiantemente interpretado por Adriano Correia de Oliveira e musicado por José Nisa! É que, à poesia, à música, à arte, não há machado que as corte nem fronteira que as detenha.
E assim se vai cumprindo o prenúncio de Eduardo Pondal.

20 maio, 2007 11:19  
Blogger Ultraperiférico escreveu...

Maria C.,
É certo que cultura e língua são factores identitários essenciais, mas também é certo que em vários campos há em Portugal algum desconhecimento da cultura galega. Refiro por exemplo o campo das artes visuais.
> Roteia.

21 maio, 2007 11:34  
Anonymous Ferma escreveu...

Transcrevo referência da Wikipedia sobre o "português da Galiza":
Em relação à oficialidade, o galego é co-oficial na Galiza conjuntamente com a língua castelhana.
Na União Europeia já foi aceite oralmente como sendo português, nomeadamente nas intervenções dos ex-eurodeputados galegos Camilo Nogueira e José Beiras, tal como se pode ver no excerto desta entrevista de Camilo Nogueira ao jornal português Correio da Manhã:
«Camilo Nogueira: Falo português da Galiza, 2002-12-18
O deputado europeu Camilo Nogueira, eleito em 1999 pelo Bloco Nacionalista Galego, faz a maioria das suas intervenções, em Estrasburgo, na língua de Camões. Diz que o galego é português com sotaque e que, graças a esta feliz coincidência, tem a possibilidade de falar no Parlamento Europeu a sua 'língua mãe'.
CM – O eurodeputado Camilo Nogueira utiliza o português, na maioria das suas intervenções no Parlamento Europeu, com o intuito de promover o galego ou com a intenção de reforçar o português?
Camilo Nogueira – Eu tenho o galego como língua da minha família e do meu país e pretendo que a principal língua da Galiza, mesmo em termos políticos e económicos, seja o galego. Nesse sentido, tenho a sorte de, ao contrário do que acontece com os catalães ou os bascos, a língua original da minha região ser uma língua universal e uma das oficiais do Parlamento Europeu, que é o português. Agora, respondendo à questão, eu acabo por fazer as duas coisas, porque promovendo o português vou impondo o galego.
(...)
CM – Tratando-se de um eurodeputado eleito por Espanha, nunca lhe foi colocado qualquer problema por falar em português?
Camilo Nogueira – Não, claro que não. Eu até já debati esta questão com José María Aznar, sobretudo quando a Espanha tinha a presidência da União Europeia e ele teve de pôr os auscultadores para compreender a minha intervenção. Eu disse-lhe que é legítimo que os galegos lutem pela sua língua de origem. De resto, devo dizer-lhe que, curiosamente, eu posso fazer as intervenções na minha língua no Parlamento Europeu, graças ao português, mas não o posso fazer no parlamento espanhol em Madrid, onde o castelhano é obrigatório. (...)»

Por aqui se percebe que na Europa também há mapas cor de rosa que não respeitam as geografias culturais...

21 maio, 2007 17:52  
Blogger Roteia escreveu...

Ferma,
Se bem entendi o seu comentário, suponho que queria dizer que há países da Europa (caso da Espanha) onde "há mapas cor de rosa que não respeitam as geografias culturais".
É isso???

21 maio, 2007 18:30  
Anonymous Ferma escreveu...

É isso mesmo. Obrigado, Roteia, pela correcção.

21 maio, 2007 18:33  
Anonymous Ana Veiga escreveu...

Só agora dei conta deste post e fiquei satisfeita com o que vi, texto e imagem. Durante muitos anos passei férias na Galiza e sempre me senti em casa. Penso que se passa o mesmo com muitos portugueses. Quanto ao intercâmbio cultural, poderia ser mais e melhor, mas eu própria constatei muitas vezes que existe, nomeadamente na área da música. Esperemos que as coisas vão melhorando. Ver posts em blogues portugueses que destacam o Día das Letras Galegas, pode ser um bom sinal. Parabéns, Ultraperiférico.

23 maio, 2007 23:09  
Anonymous Pilar escreveu...

A toda a equipa de Ultraperiférico, os meus parabens pelos 16 meses de trabalho na blogosfera e um muito obrigado por este post, dedicado aos galegos/as.

27 maio, 2007 21:03  
Anonymous Propranolol escreveu...

Pilar,
Nós é que te agradecemos, pela atenção e pelo estímulo.

28 maio, 2007 00:11  

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