sexta-feira, novembro 24, 2006

[citação 15]
AS CARACTERÍSTICAS DAS CORES




(...) as características das cores simples que elaborámos são
provisórias, tão
elementares como os sentimentos que expressam
(alegria, tristeza, etc.). Não
são mais do que estados materiais da
alma. Mais subtis do que as
nuances da
música são as das cores.
As vibrações que despertam na alma são mais finas
e mais
delicadas, intraduzíveis em palavras.
(trad. Propranolol)

Citação/Pintura > Wassily Kandinsky (1866-1944), Rússia/França
> in Concerning the Spiritual in Art (1911), ed. Kessinger, London, 2004
(edição portuguesa > Do Espiritual na arte, ed. Dom Quixote, Lisboa, 1999)

> Première Aquarelle Abstraite, 1910 (1913?), Col. Musée National d'Art Moderne/
Centre Georges
Pompidou, Paris
[R]

[adenda]
Falamos geralmente de arte abstracta quando com mais propriedade deveríamos
dizer Arte Não-Figurativa, visto que o conceito de abstracção,
significando
literalmente "tirar para fora, separar da realidade", pode aplicar-se
a qualquer
representação artística, incluindo a arte figurativa.

A pequena aguarela acima reproduzida, assinada por Kandinsky e datada de 1910,
marca o início do Abstraccionismo, enquanto movimento de vanguarda
da Arte
Moderna, do qual Kandinsky é considerado o fundador. No entanto, alguns
investigadores
defendem que terá sido realizada cerca de 1913 e que o pintor
poderá
ter acrescentado posteriormente a data de 1910 para assegurar que lhe
seria
atribuída a paternidade da Abstracção.

Pesquisar Wassily Kandinsky
tp://www.tate.org.uk/modern/exhibitions/kandinsky/default.shtm
http://www.artcyclopedia.com/artists/kandinsky_wassily.html
http://www.rollins.edu/Foreign_Lang/Russian/kandin.html
http://www.artelino.com/articles/wassily_kandinsky.asp
http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/kandinsky
http://fr.wikipedia.org/wiki/Wassily_Kandinsky
http://www.glyphs.com/art/kandinsky
[R]

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7 Comentários:

Anonymous Mário escreveu...

A arte libertou-se da figuração, mas ainda não se libertou da moldura, recuando aos seus primórdios.

25 novembro, 2006 18:21  
Anonymous Roteia escreveu...

Mário:
Obrigado. A propósito do seu breve comentário, talvez venha a fazer um novo post.

26 novembro, 2006 00:44  
Blogger aldina escreveu...

As cores são a ilusão mais elaborada da luz em geral...

até sempre

26 novembro, 2006 22:15  
Anonymous Roteia escreveu...

Aldina:
Todas as cores, cada cor, são o que quisermos que sejam. Elas acendem na alma, como diria Kandinsky, vibrações intraduzíveis. Mas para os pintores elas são o elemento fulcral da representação. Se o branco-luz reúne todas as cores e o negro é ausência da cor-luz, a "ilusão mais elaborada" está nos pigmentos que permitem ao pintor fingir a pintura, tal como as palavras que permitem ao poeta fingir a poesia. E já agora, tal como a voz que permite ao cantor fingir a canção.

27 novembro, 2006 09:49  
Anonymous L'Oiseau Rare escreveu...

É interessante o que diz Roteia nesta caixa de comentários. Quanto à citação de Kandinsky, é bem polémica, pelo menos para os melómanos. Pessoalmente, agrada-me a hipótese. E a questão das datas da aguarela e da sua relação com a paternidade do abstraccionismo, é deveras curiosa.

27 novembro, 2006 11:19  
Anonymous Mário escreveu...

As cores estão estudadas em termos físicos e por isso em si não são ambiguas. Agora, ainda em termos físicos não sabemos na realidade com toda a precisão qual a nossa real capacidade de visionamento das cores.
Os significados que lhes atribuimos são construções culturais que variam com a localização geográfica e com a nossa capacidade de invenção.

03 dezembro, 2006 12:16  
Blogger Luisa escreveu...

Há diversos pontos abordados aqui, em torno do tema da moldura que me parecem muito interessantes. Não há dúvida que a moldura, pelo menos numa concepção tradicional, poderá ter um "privilégio" na 'representação' bi-dimensional, mas se em vez de considerarmos apenas a pintura que é, e talvez discutivelmente, a arte visual mais ponderada a diversos níveis, não esquecermos do desenho, da gravura, da fotografia, da tapeçaria, da azulejaria, etc, ou de outros modos mais inter-penetrativos da arte visual, talvez essa questão se ponha igualmente, mas em termos diferenciados.
Como referiram, a moldura é um objecto civilizacional. Mas não tenho a certeza que não o fosse só depois a arte pré-histórica. Julgo que terá sido mais tarde, mesmo depois dos frescos, e do início da descoberta do óleo e do uso da tábua. E se o foi antes, a moldura, ou a delimitação do espaço, faria parte integrante do ‘interior’, como intencionalidade do artista ao criar, ou seria uma ‘imposição’ do encomendador (por exemplo para uma parede ou um retábulo de igreja). Mesmo no renascimento, a célebre frase de Alberti sobre a pintura como janela para o mundo, é em si, uma delimitação, um emolduramento, um enquadramento, mas é também simultaneamente uma ligação entre o que está dentro e o que está fora. Outro exemplo são os trompe- d’oeil. Mais uma vez há a moldura, enquanto circunscrição primordial.
A pintura, ou a arte plástica contemporânea tende a romper muito mais com essa delimitação; romper como intenção e como realização. Quantas obras se estendem para lá do seu suporte físico?! (pelo menos no propósito do artista)
E por outro lado, quantas vezes, somos nós, proprietários ou expositores das obras a demarcar ainda mais aquilo que o artista quis delimitar? Por exemplo, num desenho que está ‘delimitado’ com quatro linhas desenhadas, tendemos a considerar que o desenho acaba ali, nas 4 linhas, mas se o suporte é maior, muito maior, quem nos diz que não foi a intenção do autor deixar o resto do suporte em branco?
Não será a moldura, e a moldura enquanto objecto ‘complementar’ uma ideia essencialmente aristocrática, e ainda mais, burguesa, de valorização de algo (a obra de arte) a que não se dava (dá) assim tanto valor?
E nas outras artes tridimensionais ou espaciais? O conceito de ‘moldura’ terá um significado algo distinto, mas não deixa de haver um limite entre a obra propriamente dita e o que a envolve. Não é por acaso que o arquitecto necessita de ver o lugar onde vai projectar: a continuidade/delimitação/integração. E a escultura? os espaços negativos, os espaços “vazios” (e lembremo-nos de Henry Moore), e a sua privilegiada integração em zonas ao ar livre; mas nestas, os pedestais também não são para além de suporte, delimitação?
E como já vai longuíssimo este comentário, só mais uma achega. Será que na arte figurativa o nosso olhar tende para um centro, uma ‘narrativa’, e na arte não-figurativa a ‘liberdade’ do olhar não é tão condicionada?
Muito obrigada por esta discussão… e mais haveria a conversar…

07 dezembro, 2006 21:17  

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