terça-feira, outubro 17, 2006

IDENTIDADES



A propósito de anónimos, homónimos, heterónimos, pseudónimos,
alcunhas: vamos meter tudo no mesmo saco?
Se considerarmos o desdobramento de identidades na blogosfera, convém dizer
que a pseudonimia e a heteronimia não são variantes do anonimato. Basta lembrar
que a prática do pseudónimo é recorrente em escritores e artistas, para que nos
demos conta que são coisas diferentes. O pseudónimo não retira um pingo de
identidade aos seus autores. É uma forma de identidade condensada em obra,
inteiramente reconhecível enquanto tal, ainda que em muitos casos também se
destine a proteger a vida privada.
Na blogosfera, o pseudónimo pode limitar a tentação do reconhecimento público,
ou mesmo evitar um certo mimetismo da feira de vaidades que outros espaços
de comunicação tendem a promover. E neste sentido opõe-se à tendência dos
periódicos cor-de-rosa e dos programas de entretenimento televisivo, onde
aqueles que a isso se expõem oferecendo a sua intimidade a desconhecidos,
diz-se que generosamente, parecem ter conquistado uma existência acima do
cidadão comum.
A intimidade, pensamos nós, só faz sentido quando a sua expressão acrescenta
universalidade ao nosso limitado mundo. E porque pretendemos comunicar
exclusivamente através de ideias, a omissão do nome próprio dos participantes
deste blogue é intencional e obrigatória. Cada qual, através do seu pseudónimo,
diz aos visitantes do blogue tudo o que interessa dizer sobre si, ou sobre a parte
de si que quer tornar pública. Isto não deve bastar-nos?
[R]



E como andamos por aqui há nove meses (tempo de uma gestação), pensamos que
hoje é o dia certo para apresentar o novo elemento da equipa do Ultraperiférico
- Personagem de Fricção, guest star. Vamos lá ver o que terá para dizer.
[P] [R] [K] [H]

Fotografia > Versões de retrato múltiplo (em actualização), de autor não
identificado, tratadas pelo sistema Picasa a partir de uma fotografia que pode ser
vista aqui.

(anomalias no Blogger implicaram a revisão do post após lançamento inicial)
[R]

Etiquetas:

11 Comentários:

Anonymous Jorge A. S. escreveu...

Este blogue é um bálsamo. Inteligente sem ser pesado, visualmente estimulante sem cair no estetismo...leitura "obrigatória" donde las hay...

"Isto não deve bastar-nos?"
A blogosfera decalca a vida real e se há quem esteja interessado no debate de ideias, como forma de participação cívica e concomitante, desejavelmente, alargamento de horizontes, há quem a utilize como exutório de frustrações e meio de sublimação de um ego amordaçado...
Há de tudo neste supermercado de Deus e ainda bem que assim é.
Pessoalmente aprecio o vosso semi-anonimato e penso que é mais um dos motivos de interesse do Ultraperiférico...

Abraço.

17 outubro, 2006 15:51  
Anonymous Roteia escreveu...

Jorge A. S.
Gratos (e talvez envaidecidos) pelas palavras introdutórias do seu comentário, porque apesar de sermos alheios a honrarias públicas sabe-nos muito bem o reconhecimento sincero.

A expressão semi-anonimato, pelo menos a mim, também parece bem. Mas somos tão "semi" como tantos outros com nome próprio no perfil. Afinal anónimos seremos todos para lá dos pequenos círculos em que nos movimentamos, fora as excepções decorrentes da mediatização e fora todos aqueles que, senco verdadeiramente excepcionais, existem através da sua obra.

17 outubro, 2006 16:47  
Anonymous Mário escreveu...

No campo da discusão de ideias e de conceitos a identidade dos participantes é irrelevante, apenas conta a sua contribuição.

17 outubro, 2006 17:23  
Anonymous Roteia escreveu...

A contribuição é o que conta, certo, mas contribuir, tal como participar, não será valorizador de identidade (com ou sem nome próprio)?
A ideia de contribuição implica defender causas, quanto mais não seja para contrariar uma certa vacuidade que se instalou em Portugal e tende a denegrir aqueles que defendem as suas causas.

17 outubro, 2006 17:54  
Blogger paulo escreveu...

O nome, na web, é um endereço, um link. Anónimo será quem não fornece o seu link.

18 outubro, 2006 01:04  
Anonymous propranolol escreveu...

Vi agora o comentário de Paulo e os anteriores (já respondidos por Roteia). Quanto ao de Paulo, tocou-me porque, sendo breve, não deixa de ser certeiro. Estou portanto de acordo, mas como é que um comentador que não seja blogger, pode fornecer link?

18 outubro, 2006 02:21  
Anonymous Personagem de Fricção escreveu...

Cá por mim, sem querer destoar dos autores do blog (recuso-me a escrever blogue) saliento o que diz Jorge A.S. quando se refere a uma certa forma de estar na blogosfera: "exultório de frustrações e meio de sublimação (eu diria 'descarga') de um ego amordaçado".
Choque frontal, "sans terme restrictif ni adverbe" ...como diria o outro.

18 outubro, 2006 02:42  
Anonymous Mário escreveu...

A irrelevância de que falei tem a ver com o "puxar galões" e a "intimidação" que algumas pessoas mais "conhecidas" induzem nos outros (muitas vezes sem intenção), inquinando a discussão.
Mas um historial de ideias bem defendidas, tem como efeito o crescimento da validade do seu autor como pessoa interessada e participante e como tal o seu reconhecimento pelos pares como pessoa a ouvir. O contrário também é verdade, e infelizmente é o que há mais.

18 outubro, 2006 08:46  
Anonymous Roteia escreveu...

Tem razão Mário. Mas eu quis sublinhar que ter identidade não depende de um "nome", sonante ou não, depende sim das causas ou posições que se defendem. Quando visito certos blogues interrogo-me frequentemente sobre o que faz correr os seus autores, o que os leva a gastar tanto tempo e energias... e, também frequentemente, não consigo vislumbrar respostas.
Será que os leitores do Ultraperiférico vislumbram o que nos faz correr a nós?

18 outubro, 2006 09:54  
Anonymous Mário escreveu...

Eu arriscaria que é a paixão pela imagem e o seu potencial gerador de emoções.

18 outubro, 2006 14:11  
Anonymous Roteia escreveu...

Arriscou bem, Mário. Acrescento no entanto, enquanto editor de imagem do blogue, que se trata de uma "paixão crítica", isto é, uma paixão que se junta à ideia de que a imagem (especialmente a imagem fotográfica e linguagens afins) possui potencialidades apocalípticas.
E há mais coisas que nos fazem correr...

18 outubro, 2006 14:43  

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