domingo, junho 18, 2006

CENA ABERTA



Um dia depois:
Conseguimos agora algum tempo para uma nova entrada, mesmo assim com um dia
de atraso, assinalando os 5 meses do Ultraperiférico. Entretanto, vamos reforçando
na coluna lateral as ligações a sítios lusófonos, convictos de que a blogosfera, mais
tarde ou mais cedo, se tornará o principal meio de comunicação entre aqueles que
falam a língua portuguesa em qualquer parte do mundo.

A propósito do nascimento deste blogue, poucos dias antes das eleições presidenciais
de Janeiro, ocorre-nos destacar um post recente no Dolo Eventual onde se colocam
algumas questões pertinentes sobre a actuação do novo Presidente da República.
Sem qualquer surpresa para nós, a carreira presidencial de Cavaco Silva soma e segue
com cautelas e calculismos vários. Uma carreira majestática onde Cavaco continuará
a dar "uma no cravo, outra na ferradura", sempre, sempre, prevendo o futuro do seu
prestígio. Por isso apoiou sem reservas a Ministra da Educação, já que os docentes
contestatários não lhe são supostamente próximos, enquanto se mostrava cauteloso
para com as políticas do Ministro da Agricultura, porque não convém mesmo nada
molestar o seu tradicional eleitorado afecto à poderosa CAP.
O que nunca nos ocorreu, foi que este PR aproveitasse o 1o de Junho para ressuscitar
os desfiles militares dos tempos coloniais. Diante do chefe supremo da Nação, apenas
uma viatura esfumaçante traíu as previstas pompa e circunstância em solo portuense.
[R]

Pintura > António Dacosta (1914-1990)
> Cena Aberta, 1940 (Col. CAM/FCG)

O percurso artístico de António Dacosta, com exposição no Museu de Serralves
(até 9 de Julho), é um dos mais peculiares da arte portuguesa contemporânea:
Depois de ter sido co-fundador do Grupo Surrealista de Lisboa nos finais da década
de 1930, Dacosta tornar-se-ia uma figura de referência deste movimento.
Em 1947 instalou-se definitivamente em Paris, mas viria a trocar a actividade
pictórica pelo exercício da crítica da arte. Não pintou durante mais de 20 anos, tendo
regressado ao trabalho de atelier nos últimos anos da sua vida, ao longo da década de
1980. Regressou com ousadia e sentido da contemporaneidade, prova de que o seu
olhar não envelheceu, nem nunca o deixou parar de ser pintor.

"Pintor Europeu das Ilhas", como premonitóriamente lhe chamou Vitorino Nemésio
num texto de 1942, Dacosta foi também um anfitrião generoso para muitos dos
artistas portugueses que se mudaram para Paris nos tempos da ditadura.
[R]

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17 Comentários:

Blogger Kaos escreveu...

Os meus parabens pelos cinco meses de um optimo blog.
Quanto ao Cavaco, toda a atenção é mecessaria, que nunca se sabe o dia em que vai tentar colocar no governo o seu grupo (Manuela Ferreira Leite). Até lá vai-se poupando ao desgaste de confrontar ou apoiar o governo fazendo "presidencias abertas" inócuas

19 junho, 2006 11:36  
Blogger Heliocoptero escreveu...

Parabéns pelos cinco meses de actividade!

Do Cavaco e das presidenciais, mantenho aquilo que disse inicialmente: há que começar a preparar as coisas já, com bastante tempo de antecedência de modo a evitar a confusão e desnorte que foram as últimas.

E agrada-me a ideia de ter um cantinho para a Lusofonia no blogue. Já pensei em fazer o mesmo com o meu, mas de momento concentro-me apenas no caso galego.

19 junho, 2006 13:11  
Anonymous propranolol escreveu...

Obrigado Roteia, por fazeres mais uma vez o trabalho que nosotros vamos dizendo que "um dia destes hei-de ver se também arranjo tempo e tal".
Quanto a António Dacosta quero só dizer que foi, é e será sempre, um daqueles que nos fazem sentir bem por sermos do mesmo país que ele, mesmo não sabendo o que ele sabia da Pintura e da representação simbólica do acto de viver. E do acto de viver ele próprio.
No outro lado da vida, a milhões de anos-luz, temos (que remédio), Cavaco, com o seu obsessivo culto da imagem, da pose presidencial, da gestão miudinha do quando, onde, como aparecer perante a plebe. Quer-me parecer que o homem já anda com medo de não ter segundo mandato. Mas isto é só um supônhamos. Cena Aberta.

19 junho, 2006 13:28  
Blogger JOPP escreveu...

Dá gosto ler uma nota tão incisiva como essa da Cena Aberta. De facto, a paródia da parada militar (se não me engano no mesmo local em que o actual presidente da Câmara do Porto fez há poucos meses uma outra paródia automobilística) só encontra equivalente no absurdo silêncio dos meios de comunicação «normais» sobre o assunto. É como se um acto de eminente carga simbólica (embora anacrónica) não encontrasse ninguém capaz de o interpretar, em qualquer sentido que fosse. O que reforça a minha ideia de cada dia: lendo os jornais, é como se vivêssemos num deserto. Ainda bem que se podem ler outras coisas.

19 junho, 2006 21:19  
Anonymous Roteia escreveu...

Kaos, Heliocoptero, PropanoLoL:
Agradeço, em nome da equipa do Ultraperiférico as vossas palavras de apoio.

E já agora, apesar do que diz PropanoLoL, o facto é que continuamos a ser uma equipa coesa, nós, os quatro autores permanentes, e as nossas quatro moçoilas. Porque um blogue não é feito apenas de postagens, também contam as cumplicidades.

Quanto às ligações a blogues lusófonos, caro Heliocóptero, continuaremos a desenvolvê-las. Em breve abriremos tembém o espaço "Blogues da Galiza", aliás inspirados no exemplo do Coroas de Pinho.

Quanto ao assunto Cavaco, suponho que estamos de acordo quanto às características de sua excelência, resta apenas saber o como e o quando elas se evidenciarão. E é verdade, Kaos, que os cavaquistas mais chegados não ficarão sem emprego. Para já tivémos os condecorados do "Portugal pode vencer", no 10 de Junho.
Concordo absolutamente com Heliocoptero que é preciso começar já. Fizemos aqui, aliás, um post sobre isso mesmo, logo a seguir às eleições.
E aqui estamos.

Um abraço a todos!

19 junho, 2006 21:19  
Blogger JOPP escreveu...

http://planaltos.blogspot.com/2006/06/fbula.html

19 junho, 2006 22:00  
Anonymous Roteia escreveu...

Caro Joop:
Quem assim fala, aliás escreve, devia estar sempre a falar, aliás sempre a escrever. Refiro-me ao comentário que deixaste enquanto eu respondia aos senhores lá mais atrás. Os meios de comunicação, como dizes "normais" (ah a norma, a norma...) babam-se com figuras tenebrosas e altivas, daquelas que um dia garantiram que nunca lêem jornais.
Fui ao Planaltos e identifiquei-me logo com o burro (não digo jumento porque não sou preconceituoso). Agora sobre o artigo do Jaron Lanier é coisa para debater sim. Mas primeiro vou meditar nesse "Maoísmo Digital".
Abraços.

19 junho, 2006 23:43  
Anonymous Max @ Devaneios Desintéricos escreveu...

Parabens pelos 5 meses, amigo Roteia...ufaaa...esta ausência de 8 dias fez-me recear o pior :)))

20 junho, 2006 15:19  
Anonymous Roteia escreveu...

Obrigado Max! É apenas uma fase de muitos afazeres profissionais, para todos os membros do blogue. De resto, creio, estamos como se diz "para lavar e durar".

20 junho, 2006 21:34  
Blogger António Ferra escreveu...

claro que eu estou um bocado apanhado com os posts sobre a matraca. Mas acho que o Cavaco pretende ser subtil naquela dança que o faz dar "uma no cravo outra na ferradura". E não engana ninguém com as marchas militares, matraqueando-nos. Mas há sempre alguém que diz não, nem que seja através de um incêndio simbólico.
Abraço
António

20 junho, 2006 23:12  
Anonymous Roteia escreveu...

Caro António:
"Há sempre alguém que diz não", é como diz em tom épico a canção... Mas o problema é que, no assunto Cavaco, a blogosfera ainda não constitui uma alternativa aos orgãos de informação que colocaram Cavaco na cadeira presidencial, os mesmos que continuam deslumbrados com a figura distante, entre brumas, de sua excelência.

20 junho, 2006 23:32  
Blogger Heliocoptero escreveu...

Logo Cavaco não desaparece por entre as brumas de uma manhã de nevoeiro, montado num tanque branco e meio fumegante, com destino a alguma terra longinqua para se tornar, de facto, numa figura distante (ele, não o tanque). Um sítio como a Ilha dos Amores, onde, sem consequências de maior, poderia receber mimos e atenções intermináveis (o tanque, não ele!)...

Perdão por este momento de humor: saiu-me assim quando li as tuas palavras, roteia :p

21 junho, 2006 21:20  
Anonymous Roteia escreveu...

E saiu muito bem, Heliocoptero!

22 junho, 2006 01:11  
Blogger maria escreveu...

Só me espanta que aqueles que votaram no CC considerando-o o messiânico resolvedor dos problemas da pátria, ainda não se tenham interrogado, ou tenham visto o que só eles não viram : que nada vai ficar melhor.

22 junho, 2006 17:18  
Anonymous Roteia escreveu...

Pois Maria, é isso mesmo. Como é que em Portugal se aceita um político que se diz anti-política, que da política só tem como conceito nobre a sua pessoa, a qual do meu ponto de vista não tem qualquer nobreza.

23 junho, 2006 00:56  
Blogger Heliocoptero escreveu...

Não só isso, mas o achar que um Presidente da República vai resolver todos os nossos problemas demonstra uma profunda ignorância quanta às regras do sistema político português.

E como se isso não bastasse, a própria classe política, aquela que deveria ser a primeira a dar o exemplo, alimenta de bom grado essa ignorância e ideias erróneas a respeito do funcionamento do nosso regime republicano.

26 junho, 2006 21:02  
Anonymous Roteia escreveu...

É certo Heliocoptero, mas o que mais me repugna nesta questão é a subserviência dos media.

26 junho, 2006 23:19  

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