quarta-feira, maio 03, 2006

FERNANDO LEMOS E O SURREALISMO



Uma boa notícia para quem ainda não viu Fernando Lemos e o Surrealismo no
Sintra Museu de Arte Moderna/Colecção Berardo: a exposição foi prolongada até
28 de Maio.

> Fernando Lemos, in Refotos - Anos 40 (1982)
"Nasci na Rua do Sol ao Rato em Lisboa, em 1926. Fui para o Brasil em 1952. Fui
estudante, serralheiro, marceneiro, estofador, impressor de litografia, desenhador,
publicitário, professor, pintor, fotógrafo, tocador de gaita, emigrante, exilado,
director de museu, assessor de ministros, pesquisador, jornalista, poeta, júri de
concursos, conselheiro de pinacotecas, comissário de eventos internacionais,
cenógrafo, pai de filhos, bolseiro, e tenho duas pátrias, uma que me fez e outra que
ajudo a fazer. Como se vê, sou mais um português à procura de coisa melhor".
[R]

(Adenda) Recentemente adquirido pela Colecção Berardo, o importante corpus
fotográfico de Fernando Lemos, que agora se mostra, é acompanhado por obras de
outros surrealistas portugueses, as quais pertencem maioritariamente à Fundação
Cupertino de Miranda
(Famalicão), e também por obras de importantes artistas
internacionais, da Colecção Berardo.
E é aqui que reside a novidade e a ousadia da exposição, o facto de nos surgirem
lado a lado com as fotografias de Fernando Lemos, obras de artistas como Magritte,
Delvaux, Dali, Max Ernst, Miró, Picasso, Man Ray, Duchamps, Chirico, entre outros.
[R]

Fotografia > Fernando Lemos (n. 1926)
> Autoretrato, 1949/52, Colecção Berardo


A obra fotográfica de Fernando Lemos, integralmente realizada no breve período
de 1949 a 1952, sendo o artista então muito jovem, viria a revelar-se um ponto de
referência do surrealismo em Portugal.
O Autoretrato e outras fotografias foram mostradas pela primeira vez, juntamente

com obras de pintura e desenho, na mítica exposição Azevedo, Lemos, Vespeira, na
Casa Jalco (1952). Pela sua ousadia, esta exposição causou grande polémica na
provinciana Lisboa de então.
Entretanto Fernando Lemos partiu para o Brasil em 1953, fixando depois residência
na cidade de São Paulo, onde continua a sua actividade artística como pintor.
[R]

Etiquetas: , , , ,

4 Comentários:

Anonymous Aluizio Amorim escreveu...

Caríssimo Roteia:

realmente este post está interessante. O trabalho do artista é espetacular. Até sou suspeito para falar porque gosto muito do surrealismo. Obrigado pela lembrança de sua visita ao meu blog. Também gosto de postar algo sobre arte. Entretanto, há uns dois meses que as grandes questões nacionais e latino-americanas não nos dão sossego. O post acima, referente à análise do salazarismo também está muito interessante. Como qui, a ditadura aí haverá de ser sempre um tema recorrente. Revisita-se o autoritarismo para louvar a liberdade da democracia conquistada. Revendo-se o passado do autoritarismo brasileiro irá descobrir-se que, mal ou bem, a ditadura tinha um projeto para o País. Em parte cumpriu e contribuiu para o desenvolvimento econômico brasileiro. Mas como toda a ditadura, caiu de podre por ter, como é do feitio desses regimes, pisoteado as liberdades civis. Veja o exemplo da queda da ditadura socialista do Leste europeu. A queda do Muro de Berlim, a derrubada das estátuas dos títeres do regime truculento do qual uma certa esquerda ainda é saudosa.
Creio que se tratará sempre de radicalizar a democracia. O grande problema é que a democracia torna-se sempre uma presa fácil de seus inimigos. É um regime de tolerância e de respeito às contrariedades. Mas esta é, sem dúvida, a sua primeira virtude.

Radicalizar a democracia é negar o estatuto de legitmidade a qualquer tipo de ditadura, seja ela ideologicamente de direita ou de esquerda. Trata-se do verso e anverso da mesma medalha.

Salve, portanto, as liberdades democrácias. Essas liberdades que permitem a ousadia de criação em todas as artes como essa que vc tão bem enfoca no seu post.

Cordial abraço a todos vocês do

Aluízio Amorim
http://oquepensaaluizio.zip.net

04 maio, 2006 04:34  
Anonymous Roteia escreveu...

Sabe Aluízio, o Fernando Lemos foi para o Brasil com 26 anos (em 1952 ou 53, conforme as fontes, o próprio Lemos diverte-se com imprecisões surrealizantes). Partiu desiludido com a sua pátria. Portugal demorou muitos anos a fazer-lhe justiça. Foi o Brasil que lhe deu reconhecimento primeiramente. Hoje Portugal é um país diferente, mas ainda há muito a fazer, porque as ditaduras longas deixam marcas difíceis de apagar. Talvez este seja também o caso do Brasil.
Um abraço fraterno.

04 maio, 2006 18:28  
Blogger Australopithecus XXI escreveu...

Há aproximadamente 15 anos tive o 1º contacto com o trabalho do Fernando Lemos numa exposição em São Paulo.
Simplesmente fiquei de boca aberta...

06 maio, 2006 01:40  
Anonymous Roteia escreveu...

Caro Australopithecus:
Vi as fotografias de Fernando Lemos pela primeira vez em 1982 (passados 30 anos sobre a exposição "Refotos - Anos 40", 1952), na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa. Soube posteriormente que as magníficas provas fotográficas que Fernando Lemos encomendou para esta exposição haviam sido coladas sobre platex, certamente por alguém que ignorava o valor histórico e a irrepetível qualidade dessas provas, ficando estas inutilizadas devido à acidez da cola e do material de suporte.
Creio que uma "imbecilidade" deste tipo já não ocorreria hoje, mas o mal já está feito.
Se puder não deixe de ver a exposição de Sintra.

06 maio, 2006 03:44  

Enviar um comentário

Ligações para este artigo:

Criar uma hiperligação

<< Home