sábado, abril 15, 2006

VIA DOLOROSA



Por estes dias do final da Quaresma somos assaltados pelas imagens do sofrimento
e morte de Cristo, imagens que marcaram, mais que quaisquer outras, a história da
cultura ocidental.
Esteticizada em nome de Deus, a iconografia sacra da Paixão tornou-se um fenómeno
artístico do passado, exceptuando os casos da representação cinematográfica em que
se continuam a reconstituir narrativas bíblicas, neste caso em nome do negócio.
Se podemos dizer que as artes visuais se libertaram do cristianismo, sendo raros os
artistas contemporâneos que se atrevem a abordar estes temas, o imaginário do
sofrimento não pára de se revitalizar através da mediatização das desgraças e das
misérias, no quotidiano noticioso.
A fotografia, responsável histórica por este fenómeno, tem-nos revelado um mundo
de martírios reais. E quer a fotografia, quer os outros processos mecânicos de registo
e transmissão da imagem, vieram dessacralizar a noção de martírio, mas também o
vieram banalizar perigosamente.
E nisto a nossa civilização judaico-cristã mantém uma pujança apocalíptica.
[R]

Fotografia > Constantino Mouton Osório
> Santarém, Igreja de Santa Iria, Cristo de Montiraz (escultura séc. XIII), c. 1940
(foto © FH/CRO)

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2 Comentários:

Blogger MAM escreveu...

É excelente poder contar com as múltiplas informações qu enos dão os blogs. Os desta natureza, ligados à estética e, em particular, à fotografia COMENTADA E VIVIDA fazem muita falta.

Ainda bem qu ese lembraram de "existir".

Armandina Maia

16 abril, 2006 20:48  
Anonymous Roteia escreveu...

Muito grato pelas palavras estimulantes de Armandina Maia, uma "Luz de Presença", a cintilar.
Interessa-nos reflectir sobre certas resistências portuguesas no que diz respeito aos fenómenos estéticos, especialmente no campo das artes visuais, o parente mais pobre.
E, claro, interessa-nos muito particularmente, discutir a situação culturalmente ultraperiférica de Portugal no contexto europeu.

17 abril, 2006 22:45  

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