domingo, março 05, 2006

MUSEU URGENTE


Portugal precisa de um grande museu de arte contemporânea que coloque o país no
mapa artístico europeu.
É mérito próprio do empresário Joe Berardo ter reunido uma colecção de significado internacional, substituindo-se de certo modo às obrigações do estado português tradicionalmente avaro na aquisição de obras de arte e parco em estratégias culturais
ousadas.
Chegou o momento do governo de José Sócrates terminar as negociações com um
acordo histórico que possibilite instalar a Colecção Berardo no Centro Cultural de
Belém.
Ultimato atrás de ultimato, oxalá prevaleça o bom senso e 8o interesse nacional.
Saudações ultraperiféricas.
[P]

Escultura/Objecto > Yves Klein (1928-1962),
> S 41, 1962/82. Colecção Berardo

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7 Comentários:

Blogger César Viana escreveu...

Esperemos que sim... mas o bom-senso ultimamente, pelo menos por estas paragens, não parece tão bem distribuído como o Descartes supunha no 'Discours de la Méthode'...

06 março, 2006 00:18  
Anonymous Bilhas escreveu...

Não sei se espero que sim! Tenho medo que o Estado Português não perceba que existem limites nestas negociações... e que não baixe as calças irremediavelmente ao Sr. Comendador! E repara que o Sr. Comendador não é assim tão altruísta quanto pode fazer crer!

É verdade... e Portugal já tem um excelente museu de arte contemporânea... chama-se Museu de Serralves e fica no Porto!

07 março, 2006 14:16  
Blogger João Dias escreveu...

Pois é o belo museu Serralves...
Lá vi a exposição de Andy Warhol.

07 março, 2006 16:33  
Blogger Mister Agá escreveu...

Bilhas,
Não podia concordar mais! De facto o Sr. Berardo parece ter o Comendador na barriga...
No entanto, também lhe tenho de dizer que não é por em Barcelona existir o Museu de Arte Contemporânea (MACBA), que em Madrid não existe o Museu Rainha Sofia, um grande museu nacional de arte contemporânea (que para mais sofreu grandes obras de ampliação há pouco tempo), assim como também não é por isso que deixou de ser construido em Bilbao o Museu Guggenheim.

João Dias,
(Nem de propósito), Foi em Serralves que vi a expoisição da Paula Rego, que agora volta a ser muito falada pelo retrato Presidencial.

08 março, 2006 00:39  
Anonymous Anónimo escreveu...

Museo Serralves, Museo Cerralbo

08 março, 2006 08:03  
Blogger Isobel escreveu...

Ocorreu-me precisamente o Museu de Serralves, ao ler este post.
Com a gestão volúvel do CCB, talvez a colecção de Berardo não tivesse o destaque merecido.
Serralves é um excelente modelo de gestão cultural e já está colocado no mapa europeu. Acho que essa seria a melhor opção.
Achei ridícula foi a forma como as negociações foram conduzidas. Corre-se o risco de Berardo levar as obras para um outro país.. esperemos que não.

19 março, 2006 13:19  
Blogger Roteia escreveu...

Respondendo aos comentários anteriores:

Serralves é sem dúvida um belo museu, com um papel imprescindível e importante programação temporária, mas a sua relevância internacional não é comparável a tantos outros museus existentes nas principais cidades da Europa, dado que a colecção de Serralves abrange apenas o período que vai de finais da década de 60 até à actualidade. Ficam de fora, decerto por motivos financeiros, cerca de 70 anos de produção artística, desde as primeiras vanguardas do século XX até aos importantes movimentos do pós-guerra.

Por outro lado se pensarmos em dois outros museus, ambos em Lisboa, temos o Centro de Arte Moderna da FCG, cujas colecções abrangendo todo o século XX se centram na arte portuguesa (embora com um notável núcleo de arte inglesa) e o Museu do Chiado igualmente centrado na arte portuguesa.

Apenas a colecção Berardo abrange as principais tendencias e artistas estrangeiros desde inícios do século XX. Caso este património saísse de Portugal perder-se-ia escandalosamente uma oportunidade única de instalar uma colecção que tem sido considerada pelos especialistas como sendo uma das maiores e mais importantes colecções europeias. E só assim Portugal poderá entrar definitivamente no mapa museológico internacional.

Quanto à questão negocial: É preciso lembrar que o imenso acervo reunido por Joe Berardo é património privado; que o estado português não gastou somas astronómicas em aquisição de obras de arte (mas gastou-as em estádios de futebol e outros luxos); que os grandes museus são bons investimentos para o estado e por isso tantos países os fazem (veja-se o caso de França, onde não faltam grandes museus, mas que mesmo assim mantém interesse na colecção Berardo).

A capital portuguesa pode ter ambições menores do que qualquer outra capital europeia, sem lesar o país no seu todo? E o país pode continuar sem estratégias museológicas ousadas, abrangendo também cidades de grande ou média dimensão?
Para terminar: o campo das artes visuais é, desde há muito, o parente pobre de um país excluído dos principais circuitos expositivos internacionais.

20 março, 2006 00:00  

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